Virá o dia em que não existirá mais o Dia da Mulher

Feminimo

 

Não gosto particularmente do dia Internacional da Mulher…. Se as polaridades femininas e masculinas estivessem equilibradas não seria preciso um dia desta natureza. A verdade porém é que nada é estático, e na realidade estamos em plena transição para que este equilíbrio seja atingido. É mágico ver nos Céus, mudanças há muito planeadas e em execução; a última Lua cheia de 5 de Março permite vislumbrar parte deste plano cósmico, e permite perceber o quanto a temática do feminino  está presente.

Tivemos então a Lua conjunta a Lilith em Virgem; há muito a dizer sobre esta Lilith, mas por agora e sinteticamente ela simboliza a energia feminina reprimida, suprimida, banida. O Sol conjunto a Quíron em Peixes lançava luz sobre a Lua e Lilith, permitindo que as respectivas energias aflorem ao consciente e sejam reconhecidas e aceites, para libertar o que for necessário. A conjunção com Quíron toca a ferida universal de nos sentir-nos separadas(os), abandonadas(os) à nossa sorte, num Universo hostil.

Quando é que Lilith, enquanto símbolo feminino, foi destronada? Aproximadamente há 6500 anos quando as sociedades humanas se transformaram de matriarcais para patriarcais. Foi um processo lento e inconsciente em que ambos os sexos estiveram envolvidos, e um progressivo desequilíbrio foi tomando lugar, afectando globalmente a Terra Mãe e os seus habitantes; desequilíbrio que surge porque a supremacia de uma das polaridades feminino/masculino ganhou cada vez mais poder de dominação e espírito de conquista. O desenvolvimento do conhecimento, nomeadamente do conhecimento científico e técnico, em estreita ligação com a valorização absoluta dos valores masculinos conduziu-nos, a este presente…. Um presente envenenado!

Como se isto não fosse pouco, há 2000 mil anos entrámos na Era de Peixes. Simbolizando Peixes o Todo Universal, o Oceano Absoluto que tudo abarca, parece contraditório que tenha contribuído negativamente para este cenário tão pouco espiritual. Mas de facto, uma humanidade em patamares iniciais de evolução, subaproveitou a oportunidade de crescimento e não compreendeu os sinais e lições que lhe foram colocados à disposição. Jesus foi um dos que desempenhou um papel importante na tentativa de expansão de consciência na altura, mas o que resultou dos seus esforços foi o aproveitamento de uns quantos que através das religiões instituídas apenas aprofundaram o fosso e associaram o feminino às trevas, aos demónios, fazendo crer que as mulheres eram as grandes causadoras dos males da humanidade.

Quíron da Era de Peixes representa, não só a dor de nos sentirmos separadas(os) do Divino, como de acreditarmos ser impuras(os) e demoníacas(os), não merecedoras(es) de felicidade, alegria e abundância. Sofrimento, castidade e sacrifício servirão para expiar os nossos pecados….. isto também pode estar associado a Peixes.

“Não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe” . A Era de Peixes termina, dá lugar à Era de Aquário.

Lua e Lilith em Virgem…. Virgem actualmente significa uma mulher casta e pura, que não conhece a experiência do sexo…. A ligação da pureza com a ausência de sexo, tão ao gosto das religiões, tão Era de Peixes, tão longe da Verdade!

Transcrevo um parágrafo do livro de Monica Sjöö “The Great Cosmic Mother: rediscovering the religion of Earth” (A grande Mãe Cósmica: redescobrindo a religião da Terra)

“Antigas sacerdotisas da lua eram chamadas de virgens. ‘Virgem’  significava não casada ou não pertencente a um homem, mulher que pertence a si mesma. A própria palavra deriva do latim que significa poder, força, habilidade; e posteriormente foi aplicado aos homens: como viril. Ishtar, Diana, Astarte, Isis eram todas chamadas virgens, o que não se referia a castidade sexual, mas a independência sexual. Todos os grandes heróis de culturas do passado, nasceram de mães virgens: Marduk, Gilgamesh, Buda, Osíris, Dionísio, Genghis Khan, Jesus – afirma-se que todos nasceram da Grande Mãe, e seus enormes poderes provinham dela. Quando os hebreus usaram a palavra, no aramaico original, significava “donzela” ou “jovem”, sem nenhuma conotação a castidade sexual. Mais tarde, tradutores cristãos não poderiam conceber “virgem maria” como uma mulher com independência sexual, desnecessário dizer: eles distorceram o significado para sexualmente pura, casta, nunca tocada.”

Claramente, o Sol na sua missão de trazer à consciência tudo isto não está sozinho! No último dia 5 encontrava-se ligado a Plutão por um sextil, e a Urano por um semi sextil. A Lua também ligada a Plutão por um trígono, e a Urano de forma mais tensa, mas a verdade é que um pouco de stress ajuda a seguir em frente; traduzindo, grande capacidade para morte ao velho e daqui renascer para “O Novo”, quer com a nossa vontade expressa (Sol) que com a nossa força emocional (Lua). Velho é Capricónio onde está Plutão, Novo é Carneiro onde está Urano. Velho é a submissão feminina, Novo é o equilíbrio entre o feminino e masculino.

Há mais sinais desta transição, e as cenas dos próximos capítulos seguir-se-ão a seu tempo.

Afinal do que gosto mais neste dia da Mulher de 2015? Saber que caminhamos para um horizonte em que não existirá mais, não fará mais sentido!

LUA Cheia 5 de Março

 

Share Button