Lua nova de Touro, Abril de 2017

Lua nova de TouroLua nova de Touro, 26 de Abril, 13.16 h

Chegou a hora de iniciarmos assuntos que precisam da energia de Touro para crescerem e se fortalecerem. E que assuntos são esses? Touro é um signo de terra, e como tal é de matéria que trata, do que é necessário para mantermos vivo o nosso corpo físico; no nível mais básico, alimentação e abrigo. A participação dos outros em Touro é inexistente, é uma fase em que por isso a noção de auto-suficiência é fundamental. São os nossos recursos internos, os nossos saberes e os nossos talentos que devem ser accionados para com eles gerarmos o que precisamos obter para subsistirmos o melhor que for possível, o que pode ir para lá da mera sobrevivência. António Damásio no livro ao Encontro de Espinoza, diz-nos que mesmo os microorganismos mais simples não se contentam com as condições mínimas de sobrevivência, se poderem obter mais. Mais alimento, mais segurança, são sempre elementos que irão atrair todos os indivíduos de uma dada espécie, da mais complexa à mais simples. Nós humanos não somos excepção neste sector e por isso a Touro estão associados os prazeres dos sentidos, com especial relevo para o paladar, o tacto e o olfacto. Em termos práticos isto redunda na valorização da comida e do conforto como meios através dos quais nos sentimos seguros e estáveis. Claro que para nos abrirmos ao lado mais prazeroso da vida terrena, e irmos para lá da simples sobrevivência um outro elemento precisa viver dentro de nós, o senso de valor e amor próprio, a consciência de que merecemos viver bem, com abundância, sem exageros mas com qualidade. Não será descabido lembrar até que, para evoluirmos e alargarmos horizontes (Sagitário) precisamos de facto ir para lá da mera sobrevivência!

Esta é uma Lua nova com pouquíssimos aspectos em aplicação, mas cujo símbolo Sabiano dá pano para mangas. E ele é:

A mulher de Samaria

A imagem faz referência a uma cena da vida de Jesus em que ele terá encontrado uma mulher da tribo samaritana perto de um poço, e lhe pediu água. Judeus e Samaritanos eram tribos separadas por preconceitos e discriminação. A própria mulher não seguia todos os preceitos considerados correctos dentro da sua própria sociedade uma vez que viva com um homem com quem não era casada. Mas nada disso impediu que Jesus a abordasse, lhe pedisse de beber e ficasse com ela a conversar. A mulher, mesmo sem saber quem lhe pedia água, acedeu ao diálogo sem grandes resistências, apesar de ele ser de uma tribo rival, apesar de ela estar sozinha, coisa que seria considerada imprópria. A determinada altura Jesus confidencia-lhe que se fosse a mulher a pedir-lhe água, ele teria para lhe dar água que se transformaria numa fonte de vida eterna, sem que nunca mais sentisse sede… abundância e bem estar.

Voltando a Touro, e à temática dos recursos indispensáveis à manutenção da vida, a água é sem dúvida um desses recursos, mais precioso até que a comida, diz-se que água é vida! Mas é preciso atender ao seguinte, apesar de estarmos aqui num domínio de vida terrestre, a vida é bastante mais que o plano físico, e os nossos recursos pessoais devem também ser usados para expandirmos o conhecimento e a noção que temos do que é a vida, como “funciona”, como podemos nos abrir à tal “fonte de Vida eterna”. Do meu ponto de vista, o símbolo faz alusão à diferença existente entre viver/sobreviver, onde são inevitáveis períodos de sede ou de algum tipo de carência, e viver com uma qualidade superior onde não mais sofreremos de sede/carência. E por carência devemos entender não apenas carência material, mas sobretudo uma carência de valor próprio. Jesus valorizaria por igual todos os homens e mulheres, todas as tribos e todas as condições. Na cena retratada ele não desvalorizou quem se aproximou do poço, nem por ser mulher, nem por ser de uma tribo diferente, e nem por quem seguira uma conduta moral considerada incorrecta para a altura. Então o que pode ser desenvolvido nesta Lua nova de Touro, é pelo menos a consciência de que todos independentemente de quem somos temos direito a viver para lá das condições mínimas de sobrevivência. Teremos no entanto que estar receptivos à existência desta possibilidade, começando por nos valorizarmos apesar de todas as nossas “incorrecções” ou inadaptações culturais, sociais, espirituais ou qualquer outra.

Touro é regido por Vénus, que esteve retrógrada até há bem pouco tempo, isto é, estivemos nós a refazer os nossos sistemas de valores; primeiro em Carneiro, onde as questões se prendem com independência, liberdade para, por exemplo, usarmos os nossos recursos da forma como melhor nos servir, o que pode até ser usado já nesta presente Lua nova. Mas depois disso reentrou em Peixes onde foram os nossos valores mais universais, ligados às dimensões para lá da terrena os visados. Já regressou ao movimento directo mas ainda está em Peixes. Terá sido por mero acaso estas revisões de valores em Peixes, e agora uma Lua nova tão terrena mas com uma pitada de dimensões mais etéreas? Eu não acredito em coincidências… e então neste caso, ainda menos!

A disposição do mapa, com cerca de 2/3  ocupados com todos os planetas, coloca mais uma vez Júpiter em Balança como o líder dos desenvolvimentos. Balança é também regida por Vénus, e portanto com valores refeitos e personalizados à nossa própria medida, também a forma como nos relacionamos irá participar dos desenvolvimentos. Afinal não são tantas vezes os nossos recursos, bens e valores colocados ao serviço e para benefício dos outros também?

 

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