Lua nova de Gémeos

Lua nova

 

Lua nova de Gémeos, 16 de Junho, 15.05 h, no grau 25°07’.

Gémeos lembra a curiosidade das crianças. É a aprendizagem que decorre da interacção com o que nos cerca. E porque o ambiente em que nos movimentamos tem sempre tanta coisa diferente, há mil coisas com as quais nos relacionarmos, das quais retirar alguma informação. Nesta fase do ciclo, queremos saber tudo, a actividade mental está activada! Procuramos respostas em todo o lado, de todas as formas possíveis. Lendo, navegando na internet, conversando, vendo filmes, circulando, observando, ouvindo. Gémeos pode proporcionar dificuldade de foco já que a tendência é para dispersar-se por onde haja alguma coisa mais para assimilar e aprender, ou simplesmente ficar a par das novidades. Esta é portanto uma Lua Nova que marca um ciclo em que procurar informação, iniciar aprendizagens, comunicar para o exterior está em alta, e tudo o que estiver em sintonia e se iniciar sob esta energia tem o caminho facilitado.

Desde o início de Junho, Marte tem estado em aproximação a uma conjunção ao Sol, acentuando a tendência natural do Sol geminiano e que se relaciona com o que foi mencionado acima. Mercúrio, regente de Gémeos, esteve retrógrado até há muito pouco tempo, sugerindo e facilitando o refazer de algumas tarefas exteriores e igualmente o examinar do que mantemos em mente. Nesta Lua Nova, Marte está conjunto ao Sol e à Lua, embora já em separação mas ainda muito próximo, e portanto o tema da intensa recolha de dados está ainda muito presente. Absorvemos muita informação por um lado, mas tivemos o convite para olhar para dentro por outro. O símbolo Sabiano para esta lunação é:

“Num céu de inverno, árvores cobertas de gelo”

Pista: apenas o essencial

O que está simbolizado parece contrariar a circunstância de Gémeos ser exactamente o contrário, já que a curiosidade e a sede de saber que lhe é adstrita vai muito para além do que é essencial, correndo até frequentemente o risco de se perder no meio de toda a informação que assimila. E com Marte a empurrar pode literalmente empanturrar-se de novos dados. No entanto a contradição pode ser ilusória. Vejamos: o que se pretendeu com Mercúrio retrógrado? Um certo afastamento do exterior, um recolhimento para análise interna. E essa análise interna não será ela útil precisamente para identificar o que anda a mais, o que se acumulou em excesso e prosseguir apenas com o essencial? Faz sentido!

Pegando ainda na ideia de seguir apenas com o essencial, não só Mercúrio esteve retrógrado, como Saturno e Plutão têm estado igualmente, todos eles a pedir um olhar interno. Estes três planetas “pediram e pedem” acima de tudo que seja identificado o que não é necessário, tudo o que não é essencial. É um processo que pode ser difícil. Crescemos com demasiadas ideias feitas acerca de quem deveremos ser, independentemente de isso nos ser útil ou não. Precisamos de servir um padrão cultural, social às vezes religioso; precisamos ser uma peça numa engrenagem para a qual não fomos chamados a construir mas que aceitamos fazer parte. Abrigamos muito mais do que é nosso, mas porque é o que conhecemos, largar não é fácil, o hábito prevalece como um vício, o medo toma conta. Neptuno também iniciou o movimento de retrogradação há poucos dias. Amor incondicional, compaixão são duas palavras que também definem a função deste planeta e porque está na condição descrita, mais facilmente temos a capacidade de sentir que não há castigo para ninguém, que temos suporte, que nada acontece por acaso, que o que parece nos afrontar é a oportunidade de nos libertar. Saber isto, faz parte do essencial! Saber que é preciso querer aderir, também! Temos livre arbítrio, pelo menos até um certo ponto.

O regente de Gémeos, Mercúrio está em quadratura a Neptuno. Mercúrio em Gémeos é a mente racional e lógica, preparada para operar nas três dimensões. Neptuno pertence ao reino do espírito onde prevalece o sentir, e as regras não são as das três dimensões, aquelas para onde temos permanentemente a atenção focalizada. Para aproveitar as duas energias é necessário encontrar uma via em que ambas se consigam expressar, caso contrário uma vai prevalecer em detrimento da outra mas à custa de confusão mental, ilusão ou falta de concentração. É preciso aceitar a existência de dimensões não físicas, mas simultaneamente fazer uso da capacidade de discriminação e inteligência para identificar o que é pura fantasia e o que é potencialidade. Nós podemos fazer uso da mente racional para aprendermos a limitar a racionalidade lógica e por outro lado abrirmos espaço à intuição, sem perder no entanto o contacto com a realidade terrena. Saber isto é também essencial.

Urano em Carneiro quer a libertação de todos os padrões e de todas as estruturas que nos amarram e nos impedem de alcançar as potencialidades com que aqui chegámos. Júpiter em Leão quer novos horizontes, novas formas de abordar a vida levando em consideração a Verdade individual e colectiva; há aqui uma grande dose de fé na Vida, há alegria e optimismo. Urano faz trígono com Júpiter, os dois seguem em harmonia, não falta criatividade para inventar o que ainda não foi inventado! Vénus também em Leão está conjunta a Júpiter e o que acontece é que temos prazer em tudo aquilo que está simbolizado por Urano e Júpiter. E quando há prazer transformamo-nos em ímans com capacidade de atrair o que nos faz bater o coração. Outra coisa essencial…. encontrar e manter na nossa vida o que faz o coração bater!

Volto à imagem que o símbolo evoca.  A vida é cíclica, e há momentos de abundância, de vida e cor, de agitação por todo o lado, e há também pausas que se impõem, em que tudo à nossa volta e em nós se recolhe, hiberna, em que tudo se resume ao essencial…. mais uma vez! E o que acontece quando o gelo derrete e o Sol aquece? O essencial passa a ser a estrutura em que a Vida floresce!

Lua nova 2

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