Lua cheia em Capricórnio, eclipse lunar, Julho 2020

Lua cheia em Capricórnio, Sol em Caranguejo, graus 13º37´ às 5.44 h de 5 de Julho, eclipse lunar

O Sol faz trígono a Neptuno em Peixes, a Lua faz sextil

Lembro-me do meu pai contar a história dos três porquinhos, era eu bem pequena. Para poupar tempo e trabalho, fui à wikipédia e aqui está a história:

Os três porquinhos chamavam-se Prático, Heitor e Cícero. Cícero, o mais preguiçoso, não se queria cansar e construiu uma cabana de palha e pilhas de lama. Heitor, decidiu construir uma cabana de madeira sem usar os devidos pregos de aço, enquanto Prático optou por construir uma casa melhor estruturada, com cimento, tijolos, pedra e vidro. Como a sua casa demorou mais tempo para ser construída, Prático muitas vezes via os irmãos divertindo-se enquanto se esforçava para terminar o trabalho.

Um dia, o lobo surgiu e bateu na porta da casa de Cícero na cabana de palha, que se escondeu. Mas o lobo, com um sopro forte, desfez a casa. Enquanto Cícero fugia, o lobo então sai e foi bater na porta de Heitor o da casa de madeira e, com dois sopros fortes, destruiu também a cabana de madeira.

Heitor e Cícero fugiram os dois para a casa de Prático. O lobo então foi à casa de Prático e soprou, soprou, soprou, mas não conseguiu derrubá-la. Após muitas tentativas, o lobo decidiu esperar a chegada da noite.

Quando anoiteceu, o lobo foi tentar entrar na casa descendo pela chaminé, mas começou a sentir cheiro de queimado. Era uma panela no fogo, que estava a queimar a cauda do lobo. O lobo então fugiu assustado e nunca mais voltou. Eles viveram felizes para sempre.

Esta história resume na perfeição o paradigma (Capricórnio) em que temos vivido desde há séculos. Ainda segundo a wikipédia as primeiras edições deste conto terão aparecido no século XVIII mas a história deve ser bem mais antiga. A aparente “moral da história” é que se queremos estar bem seguros temos que trabalhar e nos esforçar externamente para construir essa segurança. Com esta crença bem enraizada, vamos nos sentir seguros numa casa, num emprego, numa conta bancária, em determinadas relações e formas de vida. Mas é tão fácil verificarmos como de facto isto não é assim tão linear! Uma casa bem construída pode sucumbir a um terramoto ou incêndio em segundos. Uma carreira profissional sólida, que nos garantia a melhor reputação e uma remuneração choruda ao fim do mês, pode ir por água abaixo por algum motivo inesperado, enquanto o diabo esfrega um olho. Uma sociedade pode abanar seriamente por causa de um vírus.

Outra ilação “perigosa” é a de que precisamos mesmo de muito trabalho e esforço para conseguir a bela da segurança. Se isto fosse verdade não haveriam pessoas que se fartam de trabalhar a vida toda em troca de míseras quantias que não lhes permitem viver com um mínimo de dignidade. Estes poucos exemplos mostram como a filosofia por detrás da história dos três porquinhos não passa de teoria. A mesma teoria pela qual toda a humanidade, ou pelo menos uma boa parte dela, se tem norteado. Na prática tudo é bem diferente, e temos um desafio gigantesco pela frente se queremos perceber porque é que as coisas se passam como se passam.

Fui planeada pelas Leis que mal compreendo a ser muito curiosa em relação a algumas matérias. Dizem que a curiosidade matou o gato, mas se calhar a sabedoria por detrás deste dito é a mesma da história dos porquinhos, ou seja, às vezes é assim, outras vezes não é nada assim. Às vezes é a curiosidade que nos salva! Eu acredito que precisamos mesmo arriscar muitas vezes e mandar às urtigas regras, crenças, protocolos, porque nada nos garante que estejam rigorosamente correctos. Mas bom, graças à minha curiosidade em determinada altura se ter manifestado numa dada direcção, consegui entender o que passo a partilhar.

Peixes em astrologia simboliza o espiritual, o invisível, o Todo, Deus para quem esta palavra tem significado. Num contexto diferente, científico, Max Plank o pai da física quântica, disse (vou traduzir resumidamente): “Não existe matéria enquanto tal. Toda a matéria se origina e existe em virtude de uma força que mantém o átomo coeso. Devemos assumir que por detrás desta força existe uma mente consciente e inteligente. Esta mente é a matriz de toda a matéria.” Num outro contexto, que vou designar como oculto e misterioso, surge um livro chamado o Kybalion (deixo dois links no fim). Neste livro está registado o seguinte: “O Todo é mente. O Universo é mental”. Reparem como o que Max Plank disse encaixa tão divinalmente no primeiro princípio do Kybalion (e esperem até me apetecer mostrar e falar do mapa natal de Max Plank!). A súmula disto tudo, é que Peixes como símbolo de Deus, ou por outras palavras, como símbolo da mente consciente e inteligente que está por detrás de toda a realidade material, a mesma mente de que fala o Kybalion, é aquilo que a mecânica quântica designa como o “campo quântico de todas as possibilidades”. É deste reino maravilhoso, onde tudo já existe como possibilidade, que nos é enviado tudo o que experimentamos. Quando temos uma vida estável e maravilhosa, experimentamos uma das infinitas possibilidades. Quando temos o contrário experimentamos igualmente uma das infinitas possibilidades. E pelo meio surge a questão? Como acertar na possibilidade mais simpática? Ahhhhhh…. isso é que era de valor!

Andei por estes caminhos tão diferentes, porque temos a Lua cheia a fazer aspecto a Neptuno em Peixes. Digamos que Neptuno é a ligação permanente que temos ao tal campo quântico de todas as possibilidades. Estamos constantemente focados numa das possibilidades, aquela que depois se materializa nas circunstâncias da nossa vida, e que podemos classificamos como o nosso céu na Terra, ou o nosso purgatório ou o nosso inferno. Neptuno é o “cabo” de ligação que faz trígono ao Sol em Caranguejo e sextil à Lua em Capricórnio. Digamos que a Lua cheia e as situações que dela fazem parte vão-nos colocar numa das possibilidades possíveis para a nossa vida neste exacto momento. Vamos entendê-la melhor? Então vamos lá!

Uma Lua em Capricórnio representa como a sensação de segurança está intimamente associada à realidade material, exterior, às funções que exercemos publicamente. Se de facto, desta área da nossa vida conseguimos retirar satisfação e bem estar, então é porque estamos a conseguir também cuidar do outro pólo, de Caranguejo, é porque temos propósitos e objectivos em desenvolvimento que acarinham a vida privada, familiar e emocional. O Sol está em Caranguejo, a lunação que decorre é de Caranguejo, e a prioridade deve ser Caranguejo. Parece tão contraditório que os problemas do “exterior” possam ser resolvidos no “interior” mas é um facto. Há um detalhe tão curioso na história que serviu para começo desta publicação! É este: mesmo uma casa robusta como a do Prático, tinha um ponto fraco por onde o lobo procurou entrar, a chaminé. Mas porque haviam práticas habituais de quem está em casa, cuidando de si e dos restantes familiares, havia uma panela à lareira, talvez onde se cozinhava a próxima refeição; por esse motivo o lobo queimou o rabo e fugiu a sete pés para nunca mais voltar! Este detalhe é impagável, porque nem sequer foram as paredes da casa robusta que afugentaram o lobo mau, foram as práticas normais da vida privada! A “moral da história” é completamente ao contrário do que é tradicional. Se queres segurança e manter os lobos à distância, cuida da tua vida privada, da tua família e da tua casa, sobretudo a casa mais interna de todas, a interior.

Se olharmos os dados astrológicos verificamos que há pistas no sentido de que “está tudo de pernas para o ar” efectivamente. O nodo norte de Plutão está em Caranguejo, e Plutão representa transformações profundas com vista à evolução. Por outro lado Plutão está em Capricórnio, transformando profundamente o paradigma social  em que vivemos. Não há memória de um tempo como este que vivemos, não temos compêndios cientificamente comprovados em como corrigimos o exterior pelo cuidado e atenção desmesurada ao que alimentamos no nosso interior, as fontes de informação que abordam estes temas são frequentemente mal interpretadas, incompreendidas, muito pouco conhecidas, dispersas. Tive a ambição (atributo de Capricórnio) de conseguir retirar do campo quântico de todas as possibilidades uma que lhe traga o seu máximo potencial e realização, abandonei a crença de que a segurança exterior se atinge apenas com esforço, trabalho e funções publicamente assumidas, trabalhei e esforcei-me para conseguir dar importância ao cuidar da vida privada, familiar e emocional, fui gradualmente entrando nesta “estranha forma de vida” enquanto vejo os lobos maus sumindo como que por magia. É um passo de fé que pode mudar radicalmente a maneira como vivemos. Porque enquanto estivermos reféns de uma filosofia de vida que insiste em melhorar as condições de vida, apenas dando atenção aos aspectos práticos e materiais, corremos o risco sério de não ver resultados positivos, nem agora em plena Lua cheia, nem nunca. Não procuro demonstrar que as minhas interpretações e métodos são válidos. Retiro apenas partido da sua eficácia e partilho a informação.

Esta Lua cheia vem com um eclipse lunar. Um eclipse lunar em Capricórnio refere-se à necessidade de aprender a lidar com a energia em causa. Uma das coisas fundamentais nas aprendizagens que envolvem Capricórnio, é que uma boa construção precisa ter pilares fortes. E os pilares estão em Caranguejo.

 

Para consultas ou solicitar o Manual para a Qualidade Emocional, contacte por msn privada ou pelo mail acasanafloresta.astrologia@gmail.com

Imagem de Myriam Zilles no Pixabay

https://pt.wikipedia.org/wiki/Caibalion

https://www.academia.edu/35059592/O_CAIBALION_estudo_da_filosofia_herm%C3%A9tica_do_antigo_Egito_e_da_Gr%C3%A9cia_Tradu%C3%A7%C3%A3o_de

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