A propósito de “O campo de Ardath florido”

céuQuando quero muito alguma coisa vou e faço, fico obcecada e não vejo mais nada à frente até conseguir! Ahhh que se não fosse “civilizada e evoluída” arrasava com tudo à minha frente, irra! Mas pronto, sou uma versão aceitável de teimosa e casmurra! E ontem fui assim. E fiquei toda contente e feliz porque consegui o que se me enfiou na cabeça, isto é, perceber o que diabo queria dizer o símbolo Sabiano do grau onde estava o Sol quando nasceu. Que importância isso poderia ter? Bem…. nenhuma talvez para uma vastíssima maioria de pessoas, mesmo para aquelas que vão espreitando o que brota dos meus pensamentos, passa dos dedos para as teclas e segue por essa net fora. Mas para mim era, e tendo tido oportunidade para deslindar o caso, fiquei agradavelmente agradecida ao Universo por me ter proporcionado a liberdade de deixar para trás algumas outras tarefas e me ter facultado as pistas certas.

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Elsie Wheeler

Depois de publicar o céu de ontem, meia dúzia de pesquisas no google, fui parar a uma curta biografia de quem foi a escritora Marie Corelli, encontrei um resumo do livro, e pasmem encontrei o livro na Amazon gratuito! Os símbolos Sabianos um dia apareceram e foram ficando porque fui descobrindo como são incrivelmente válidos. E tudo graças ao astrólogo Marc Edmund Jones, mas principalmente a uma mulher, à Elsie Wheeler que foi sua aluna e era mediúm. Podem ver, ou rever, aqui como estes símbolos surgiram. Continuando… tenho o livro do Rudhyar e tenho seguido o site de um canadiano “guru” destes símbolos, mas às vezes fico com a sensação que a interpretação deles não me enche completamente as medidas. Pois era o caso deste último grau de Aquário “O campo de Ardath florido”.

No livro “Uma Mandala Astrológica”, Rudhyar menciona que o símbolo se refere a uma cena dum livro de Maria Corelli. Como mencionei encontrei um resumo do livro e o próprio livro, ainda de manhã, fiquei satisfeita mas pus o assunto de lado e segui com o meu dia em frente. Durante a tarde, enquanto bebericava um café acabei por relembrar duas músicas do George Harrison, My sweet Lord e Peace on Earth; sei que na altura em que escreveu e gravou estas canções, ele estava muito dedicado à sua própria evolução espiritual, e encontrou nas práticas orientais, nomeadamente no hinduísmo a via para o fazer. Eu adoro aquelas duas canções, revejo-me nelas, revejo-me nas opções que o George fez, apesar de nunca ter seguido qualquer religião, nem seguir. Pratiquei Yoga, e entrei portanto em contacto com mantras, com Krishna, referido na primeira canção, e outras deidades hindus que aparecem nos mantras. Digamos que o ambiente energético, espiritual, com que qualquer praticante de yoga acaba por entrar em contacto, entranhou-se nos poros com prazer… aliás inconscientemente tenho a certeza que fui conduzida para isso mesmo! Era essa experiência que eu procurava, mas que de modo nenhum sentia que podia encontrar nas opções cristãs ao meu dispor, como cidadã de um país de tradição católica.

O café a arrefecer, eu a fingir que canto muito bem e a acompanhar o meu Beatle preferido, e acabo por ficar a pensar no meu próprio mapa, nas pistas que me apontam o meu passado kármico, algumas experiências desta vida que corroboram algumas certezas. A verdade é que hipoteticamente eu poderia ter começado a rejeitar as crenças instituídas já numa vida prévia, rebelar-me contra imposições e regras, nomeadamente as crenças religiosas e/ou espirituais, provavelmente sair-me bem nuns casos, noutros nem tanto! E claro, a Vida é uma continuação e foi assim que cheguei aqui! Mas mantendo-me estritamente na questão da minha relação com o mundo do espírito, porque é essa que vai fazer sentido no final deste palavreado todo, desde pequena, e apesar de ter pais católicos, a coisa nunca pegou; havia uma oração ao anjo da guarda que a minha mãe ensinou e segundo ela, eu bem criança ainda papagueava aquilo dizia aquilo a despachar, sem convicção… 🙂 E tudo o que cheirava a religião era firmemente rejeitado… ainda bem que nunca ninguém se lembrou de me enviarem para a catequese, porque a julgar pelas aulas de religião e moral na escola, seria o calvário (olha que apropriado…. ), ou a simples indiferença, sei lá!  Mas… simultaneamente achava estranho tudo se resumir à realidade palpável. No início da idade adulta comprei,e li, um livrinho pequeno o “Príncipe Sidharta Gautama”, para quem não sabe, aquele que viria a ser conhecido como o Buda. Gostei e interessei-me, e fui comprar outro livro do Bertrand Russel, um filósofo que fazia parte da bibliografia de Filosofia no secundário, e que se chamava “Porque não sou cristão”. Ah, este era cá dos meus! Reforcei a minha simpatia pelo Budismo, porque o livro abordava a visão de várias religiões. Passei uma parte da vida adulta a dizer, meia a brincar “quando for vegetariana e budista” isto e aquilo… Mas outros valores mais altos se levantaram na altura, ninguém me acompanhava nestas andanças, havia muita música, muitos concertos, um curso para tirar porque tinha que ser alguém, depois mesmo sem grande entusiasmo o casamento lá fez parte da realidade, procurar empregos, decidir dar continuidade à espécie…. blá blá blá… seja como for a sementinha duma espiritualidade diferente estava cá, à espera da humidade certa para começar a germinar. Acabo de me lembrar o que foi esta humidade, não vou falar disso agora, mas o yoga veio na sequência, claramente!

Reparem como uma pausa a meio da tarde para bebericar um café e ouvir um par de canções no youtube, acabou por me transportar para o passado onde temas de como vivi, e de como evoluiu na minha vida esta coisa da espiritualidade surgiram. Entretanto o café arrefeceu… quem me conhece mais de perto sabe as vezes que aqueço o café, há sempre mil coisinhas que me interrompem a tarefa… e havia mais que fazer que deambular pelo youtube! Por isso fechei a janela para o resto do mundo, o café entrou no microondas e fui à minha vida.

Só mais tarde, depois de jantar e de estar preparadíssima para o serão, me sentei novamente frente ao computador, desta vez decidida então a começar a ler o livro, o resumo da história e tentar chegar ao que o símbolo do dia poderia significar, usando também aquela que tinha sido a experiência da forma como o meu Sábado tinha decorrido, porque no fundo é isso que está em causa no símbolo Sabiano ao nascer de cada novo dia. Lendo então o resumo que encontrei, fiquei a saber que o protagonista é um jovem poeta que perdeu a inspiração e também a alegria de viver. Ao refugiar-se de uma tempestade num mosteiro nas montanhas do Cáucaso, acaba por viver um transe accionado por um dos monges com poder para o induzir. Nesse estado de consciência alterada, um anjo diz-lhe que é a sua alma gémea e diz-lhe para procurar o Campo de Ardath na Babilónia. Theos, o poeta, segue para as actuais ruínas, onde o anjo novamente lhe aparece mas ele cai sem sentidos. Acorda 7000 anos antes, vive várias peripécias na antiga Babilónia, peripécias também ligadas a como viviam os antigos a sua relação com o transcendente, até que acorda na sua cidade natal, Londres. É um novo homem, reúne-se à sua alma gémea, reconcilia-se com a forma como vive o cristianismo, e apesar de o resumo não esclarecer, imagino que retoma a inspiração. Como também comecei a ler o livro, posso acrescentar que ele estava de relações cortadas com o cristianismo, e mesmo tendo sido acolhido pelos monges, os pensamentos não eram simpáticos para com os pobres homens. Talvez por isso, quem sabe, andava com falta de criatividade para os seus poemas! Mais, só saberei à medida que for lendo o livro, mas para já é possível dizer que Theos vivia sem inspiração e zangado com a espiritualidade/religião. Vai para o campo de Ardath, entra em contacto com o passado e aspectos da espiritualidade desse passado, alguma coisa nele se cura e dá-se a reconciliação com o presente. Esta reconciliação dá-lhe uma nova perspectiva do que pode ser a vivência do cristianismo, junta-o à alma gémea e acredito devolve-se a capacidade de criar!

Conseguem ver os pontos de contacto com o que me aconteceu? Fui parar ao campo de Ardath pela mão do George Harrison e das duas canções que ouvi; durante uns momentos fico nas reflexões que partilhei e volto à minha vida, mas naturalmente só quando ao serão peguei no assunto, percebi as semelhanças. Mais… esta publicação é significativamente diferente do habitual, e mais parece ser o sublinhar das semelhanças! Continua a cheirar a astrologia, mas há acima de tudo um abrir da minha própria experiência pessoal, coisa que sinto há muito que quero fazer, nem eu sei porquê! Mamma mia! Querem ver que sou uma espécie de Theos? Ahahahah…. já agora quero o serviço completo, falta a alma gémea porque a reconciliação com a espiritualidade também já está bem encaminhada, apesar de não passar por nenhuma religião, apesar de continuar a simpatizar com o budismo, e apesar de não gostar da palavra espiritualidade, mas pronto por enquanto remedeia!

Sintetizando, no ultimo grau de Aquário, o que parece estar presente é uma visitinha ao passado para acertar assuntos do espírito mal vividos, ou mal compreendidos, porque logo a seguir o Sol entra em Peixes, energia do espírito, energia do Todo, e é conveniente entrarmos com o pé direito para aproveitarmos ao máximo o que a Vida tem reservado para nós! Agora digam lá se isto não é simplesmente fantástico, os símbolos, estas sincronicidades, a Vida, a nossa capacidade de descortinarmos estes mistérios! Se calhar o mais sumarento vem agora! O símbolo não foi só para mim como é evidente, eu tive esta experiência, mas com todos vocês algo de semelhante terá acontecido. Semelhante não na forma, obviamente, mas no âmago, na essência seguramente sim! Quem esteve atento ao dia de ontem? Quero saber.

Fechando com chave de ouro deixo as duas canções que me abriram o portão para o campo de Ardath, e estava florido, estava sim!

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