Lua cheia em Escorpião, 22 de Abril

LuaCheia

Lua cheia em Escorpião, 22 de Abril, 6.20

O Sol em Touro é a consciência concentrada em toda a panóplia de assuntos práticos que a vida material exige, não só aqueles que proporcionam sustentação à vida em si, como aqueles que tornam a existência mais aprazível. Com Mercúrio também em Touro, tudo o que nos passa pelo pensamento tem as tonalidades da racionalidade, que no nível das três dimensões funciona perfeitamente e no seu melhor; portanto o Sol tem o companheiro adequado para o ajudar a encontrar soluções, procurar informação, tratar da comunicação.

A Lua porém não se rege pela lógica terrena, e em contacto com as profundezas de Escorpião muito menos. Aqui estamos num território de desejos, instintos de sobrevivência e impulsos intensos, dos quais podemos não conhecer a origem, mas que ainda assim têm o poder de nos conduzir por emoções, reacções e atitudes nem sempre aceitáveis, nem compreendidas, muito menos mostradas e assumidas. Escorpião é uma espécie de emissor, do qual somos antenas difusoras, espalhando ao nosso redor e para todo o Universo aquela que é a nossa realidade energética. Ela irá ser a componente determinante do que aparece manifestado na nossa vida, já que aquilo que emitimos é a luz verde para a experiência correspondente chegar até nós. Injustamente temido, Escorpião diz-se ser um espaço de morte e renascimento, diz-se ser o local onde guardamos a sombra, e diz-se também que mergulhar na sombra é adquirir poder. Isto traduzido à letra perde o efeito de filme fantástico, trata-se apenas de assumir e aceitar que não somos perfeitos, nem é suposto, mas podemos procurar permanentemente aquilo que nos torna criaturas menores, e transformar, fazer morrer esses detalhes. Estas são as mortes que nos abrem ao renascimento constante, ao usufruto do poder que temos de facto, para criar a vida adequada ao nosso caminho.

Na tradição budista, esta Lua cheia é o momento do festival Wesak, um dia em que se comemora a iluminação de Buda, para alguns também o seu nascimento e morte. Buda significa iluminado ou desperto.  Relembre-se que simbolicamente uma Lua cheia representa uma situação em que a Luz da consciência ilumina o desconhecido, o que existe de forma inconsciente, e desta forma permitir olhar e saber o que está em excesso, o que não é verdade, o que deturpa e torna impuro o sinal que emitimos para o Universo. É no fundo um processo semelhante à iluminação budista!

Astrologicamente simplesmente chegámos a meio do ciclo lunar que começou na Lua nova de Carneiro cujo símbolo foi: O tapete mágico do imaginário oriental. Uma Lua nova que ofereceu a oportunidade de fazer germinar alguma coisa extraordinariamente inovadora e livre dos limites habituais, uma vez que se encontrava conjunta a Urano. Os símbolos da Lua e do Sol envolvidos agora na Lua cheia são:

Lua – Numa pequena aldeia organiza-se uma festa que marca o início da construção de uma casa, onde se pede a colaboração de todos

Sol – Degraus naturais conduzem a um campo de trevos em flor

Pegando então nos símbolos, e relembrando a conjunção a Urano, ímpeto, pressa, impaciência fizeram parte da semente. Mas com a chegada do Sol a Touro há que desacelerar, perceber que depois de momentos de corrida é necessário acalmar. O que foi conseguido precisa ser estabilizado, deixar que surjam as primeiras raízes; é degrau a degrau que iremos chegar ao campo de trevos, que aliás já é visível! Sente-se a vontade de festejar pelo que ainda não existe, mas cujo início já se desenvolve, e não iremos fazê-lo sozinhos, iremos precisar da cooperação de outros, se a isso nos abrirmos. E aqui volto à Lua em Escorpião, porque é em Escorpião que elementos inimigos podem contrariar a nossa abertura aos outros, a nossa abertura à vida de uma forma geral; precisamos fazê-los morrer! O único aspecto em construção que a Lua faz é a Neptuno, e é um trígono; os inimigos morrem suavemente, os seus restos mortais lavados e levados pelas águas. As águas mais superficiais do reino da Lua, Caranguejo, que penetram nas águas profundas de Escorpião e mostram a Neptuno o que está pronto a ser levado pelas ondas puras e límpidas de Peixes. É um “trígono aquático”, não dói nada, é só deixar acontecer! Há intuição que ajuda a sentir e perceber o que sentimos, não julgar, não colocar rótulos, compreender o que deve ser entregue e deixar ir.

Tendo consciência deste processo, permitindo e facilitando, lá vamos prosseguindo pela lunação de Carneiro abrindo caminho até aos objectivos que temos. No mapa da Lua nova, Júpiter em Virgem tinha um papel preponderante, que agora se mantém. Quererá isto dizer que quaisquer que sejam os nossos objectivos, as rotinas habituais de trabalho (profissional, doméstico ou outro), de manutenção de um estilo de vida saudável e de ajuda e serviço aos outros são fundamentais; sem elas não há caminho para lugar algum. Há também que ter capacidade de discernimento, que rotinas servem, que rotinas atrapalham, que outras são exageradamente perfeccionistas… Mercúrio em Touro é tudo o que precisamos para esta tarefa!

Não chegaremos, talvez, ao fim deste ciclo lunar tão iluminados como Buda. Mas podemos chegar mais leves, com menos algum peso, mais livres! De qualquer forma, a vida é um suceder de degraus, um após o outro. Subimos um e logo temos outro. A proposta parece ser ir subindo e apreciando a paisagem, não há destino, há caminho!

 

Mapa da Lua cheia em Escorpião aqui

 

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Lua nova de Carneiro, 7 de Abril

Tapete voador

Lua nova de Carneiro, 7 de Abril, 12.25 h

Com a chegada do Sol a Carneiro, em 20 de Março, instalou-se o novo ano astrológico e trouxe-nos a Primavera. Decorria o ciclo lunar que tinha começado em Peixes, e havia por isso ainda um tom de fim de ciclo. Agora porém, entramos em pleno num novo caminho, com a Lua nova de Carneiro. É tempo para iniciar de novo ou para recomeçar o que ainda não foi conseguido, com uma energia renovada, sem medos de fracassos ou dos obstáculos ou dos inimigos. O símbolo Sabiano onde ocorre esta lunação é:

O tapete mágico do imaginário oriental

A imagem facilmente sugere a possibilidade de liberdade, voos para lá do que poderíamos imaginar, olhar a realidade duma perspectiva mais elevada, escapar do condicionalismo a que estamos sujeitos pela lei da gravidade! Que maneira fantástica de começar algo de novo! E se o tapete tivesse um qualquer dispositivo capaz de o dotar de uma capacidade extraordinária de velocidade, ou de visão extra, ou algum outro atributo inusitado? Quem quereria perder esta viagem? Bem… o tapete não sei se tem, mas esta Lua nova tem sim! Tem uma conjunção estreita (pouco mais de 2º) a Urano. Sol e Lua não fazem mais nenhum aspecto a outros planetas em aplicação, em aproximação, só mesmo a Urano. É como se as forças cósmicas nos quisessem bem concentrados apenas em levantar voo! Se estivermos preparados, a rota estudada e traçada temos de facto a possibilidade de sentados no tapete subirmos e seguirmos até ao objectivo desejado.

Vamos no entanto sair das imagens poéticas de tapetes voadores, e ser um pouco mais terra a terra. Uma Lua nova tem um alcance de aproximadamente 29 dias; não será talvez possível dar uma volta de 180º na nossa vida em tão pouco tempo, mas podemos dar uma grande reviravolta na área específica de vida onde temos a acontecer esta Lua nova (19º de Carneiro). Isto porque Urano é a libertação dos condicionamentos que marcaram o passado, é originalidade e inovação, é fazer o que nunca foi feito. E até talvez estejamos fartos de tentar, mas acabamos por voltar aos mesmos hábitos e vícios e atitudes padronizadas. Pode mesmo acontecer, que esta reviravolta “apenas nessa área de vida” seja o que precisamos para dar muitas voltas de 180º à nossa realidade actual!! Quem sabe… pode ser possível! Certo certo, é que onde Urano toca, o novo surge, e se permitirmos, aceitarmos e ajudarmos poderemos ter surpresas.

No mapa desta Lua nova de Carneiro, podem ver-se que os todos os planetas, com excepção de Júpiter, estão dentro de um ângulo inferior a 180º. Mark Edmund Jones, o criador dos Símbolos Sabianos, identificou alguns padrões de distribuição de mapas astrológicos e estudou as respectivas características. Este mapa cabe dentro de um dos padrões por ele identificados, em que o planeta isolado ganha destaque pela importância que adquire, já que se comporta como o foco energético de todos os outros; neste caso este papel cabe a Júpiter, retrógrado em Virgem. Isto é, basicamente se queremos voar, temos que cumprir e estar à altura de rotinas eficazes, que promovam uma vida diária organizada, responsável, saudável. Elementar!

Outra boa notícia é que há entre Júpiter e Urano um biquintil, aspecto que fala de um qualquer talento ou criatividade original que fará a diferença na forma como podemos cumprir o crescimento pessoal que Júpiter garante, neste momento através das tarefas diárias. Estas, sendo de vital importância não podem contudo monopolizar a nossa vida, nem podemos ser de tal forma perfeccionistas que só a perfeição absoluta é aceitável. Júpiter faz oposição a Neptuno, mostrando como é necessário equilíbrio entre a atenção às tarefas do dia-a-dia, à eficácia das mesmas, à saúde, mas também é necessário deixar acontecer os momentos de descanso, de reflexão, de meditação, de não fazer nada, em suma sair da rotina! É aliás deste equilíbrio, que surgem os momentos de inspiração que podemos depois aplicar aonde for necessário, nomeadamente às famosas rotinas!

Os nossos voos dar-se-ão bem na terceira dimensão! Temos um mapa com muito fogo – entusiasmo, coragem, energia – e muita terra – capacidade de concretização. E Saturno é chamado ao cenário, ele que é o responsável pela descida ao concreto de todas as circunstâncias. Está em Sagitário, está retrógrado e está sugerido então, que será pela nossa própria estrutura interna, assente nas nossas verdades, nas nossas crenças, que temos a possibilidade de saltar para o tapete mágico, deixando o passado para trás; não são tanto as condições externas que o vão permitir, somos nós mesmos! Ou queremos ou não! Ou fazemos ou não! Ou, pelo menos tentamos, ou não! Ah e tal… e se não conseguirmos, e se falharmos? Ora…. retomamos e insistimos na primeira oportunidade que se apresentar. Não podemos é ficar quietos quando tudo à nossa volta muda constantemente e nos pede actualizações permanentes!

Saturno faz uma quadratura a Neptuno; foi referido que há muita capacidade de concretização nesta Lua nova, mas há regras! Neptuno em Peixes dissolve e devolve ao Todo o que ao Todo não serve. Sim… é paradoxal, mas porque Ele tem uma capacidade infinita de reciclar. Se queremos materializar alguma coisa, alguma mudança, alguma atitude, para ser viável e duradoura tem que estar em sintonia connosco mesmos, com o que temos estruturado internamente. A tensão da quadratura é o desafio de encontrar o que podemos concretizar e nos serve a nós, e se nos serve a nós, serve o Todo! E desta forma, o que criarmos de novo será um pilar sólido e seguro.

Há mais aspectos entre outros planetas, naturalmente! Mas o essencial de acordo com o meu olhar está dito, mesmo porque os outros aspectos servem o mesmo propósito! Sabem aquela canção do Pedro Abrunhosa, “Fazer o que ainda não foi feito”? É isso mesmo que esta Lua nova nos propõe! Vamos lá!

 

Mapa da Lua nova de Carneiro aqui

 

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